Posts Tagged ‘Metallica’

Metallica toca com Jason Newsted no aniversário de 30 anos da banda

Fãs do Metallica vieram de todo o mundo – representando locais tão distantes como Finlândia e Chile – para uma celebração de seis horas no Fillmore, casa de shows em São Francisco, na última segunda, 5, em homenagem ao aniversário de 30 anos da banda. O evento teve diversos convidados especiais, incluindo uma aparição do ex-baixista da banda, Jason Newsted.

O show em São Francisco, primeiro dos quatro que irão acontecer esta semana, começou com um tributo da big-band de jazz Soul Rebels. O conjunto de Nova Orleans reinterpretou clássicos do Metallica, incluindo “Enter Sandman” e “One”.

Para ir ao evento, era preciso ser sorteado pelo fã-clube, e a maioria das pessoas havia viajado uma grande distância. Imediatamente após chegar ao local, era claro que este não era apenas mais um show do Metallica: era algo especial. A banda literalmente transformou a área em seu próprio salão de festas, com o Fillmore Poster Room servindo como um museu de artes improvisado do Metallica, com instrumentos e pertences da banda.

O frontman James Hetfield e o baterista Lars Ulrich entraram previamente no palco para explicar os procedimentos: “Se vocês ainda não sabem, o Metallica está fazendo uma festa, com todos vocês convidados”, disse Hetfield. Ele passou o microfone para o comediante Jim Breuer, que apresentou uma espécia de game show com a plateia.

Logo depois, a Apocalyptica, companhia de cello de Helsinki, conhecida por reimaginar músicas do Metallica nos cellos, fez um set com seus arranjos, incluindo “Master of Puppets” e “Nothing Else Matters”.

Como Hetfield avisou, este não era um show do Metallica – era uma festa do Metallica. Ulrich casualmente passeou pelo público um pouco, interagindo com os fãs, enquanto outros gravaram mensagens para a banda em um estande. Enquanto isso, vídeos de amigos do grupo foram projetados em um grande telão, incluindo nomes como Slipknot, Scorpions e Kid Rock, além de figuras como David Fricke, da Rolling Stone EUA, o chef celebridade Guy Fiery e a dupla Beavis and Butt-Head. O U2 também filmou um pequeno esquete mostrando os integrantes em uma sessão de terapia, satirizando o documentário de 2004 do Metallica, Some Kind of Monster.

Em uma parte tocante da noite, Hetfield e o guitarrista Kirk Hammett deram as boas vindas a Ray Burton, pai do ex-baixista do Metallica, Cliff Burton, que subiu ao palco para contar histórias que seu filho compartilhou com ele um dia, sobre como era estar na banda. Cliff morreu tragicamente em um acidente de ônibus na Suécia, em 1986.

E então, finalmente, lá estava a atração principal: o próprio Metallica. Subindo ao palco para as três últimas horas do encontro, Hetfield contou com orgulho à audiência: “Esta é nossa festa. Nós somos os principais. Nós vamos tocar. As portas estão fechadas. Vocês não podem escapar.”

Houve momentos memoráveis, com o quarteto tocando algumas músicas ao vivo pela primeira vez, raridades e muitos convidados especiais. A banda parecia relaxada como se estivesse em um ensaio, brincando uns com os outros assim como com a público, geralmente baixando a guarda. Ulrich até brincou que a banda iria tocar sua nova e criticada colaboração com Lou Reed, Lulu, “na íntegra”. Em vez disso, eles tocaram “Carpe Diem Baby”, do disco ReLoad (1997), seguida de outra estreante, “Hate Train” – uma sobra inédita de Death Magnetic (2008). De acordo com Hetfield, a versão de estúdio estará disponível “em algum período da semana que vem” no iTunes.

Foi mostrada ainda uma cover em versão acústica de “Please Don’t Judas Me”, do Nazareth. E, em uma atitude que lembrou o Green Day, eles convidaram um membro da plateia (“John, de Chicago”) para subir ao palco e dividir as guitarras com eles em “Wherever I May Roam”.

Depois disso, a noite se transformou em uma exibição de convidados especiais, cada um representando algo significativo no passado do Metallica. Começou com John Marshall, da banda Metal Church – que estudou no colégio com Hammett e tocou guitarra no lugar de Hetfield, quando ele estava lesionado. Marshall apresentou “Sad But True”, de Metallica (também conhecido como “Álbum Preto”), com a banda.

Entre os convidados estiveram membros do Diamond Head (que, como Ulrich explicou, inspirou ele diretamente a formar o Metallica); o cantor Biff Byford, do Saxon (cujo show o Metallica abriu na sua segunda apresentação da história, no Whiskey A Go-Go, em Los Angeles) e a já citada Apocalyptica.

Mas, de longe, o convidado mais especial de todos foi o baixista Jason Newsted, que deixou a banda abruptamente em 2001. Hetfield o introduziu como “alguém que viveu conosco, viajou conosco e fez coisas conosco por 14 anos”. Após tocar “Harvester of Sorrow” (junto com seu substituto, o atual baixista Robert Trujillo), Hetfield pediu a ele que ficasse para mais uma música. Newsted aceitou, apresentando “Damage Inc.” para um local repleto de fãs muito felizes.

“Estamos muito agradecidos”, disse Hetfield ao final do evento, quando eles trouxeram todos os convidados da noite para uma apresentação coletiva de “Seek and Destroy”. A honestidade de Hetfield era aparente e, de fato, com toda a fanfarra, nostalgia e velhos truques de salão que a banda exibiu na segunda à noite, essa foi uma das noites mais honestas da carreira Metallica. E isto vindo de uma banda que, certa vez, permitiu um documentário sobre si mesma no meio de um colapso emocional.

Mais cedo durante a noite, Breuer comentou que “não há outra banda no mundo – nem os Rolling Stones ou o Van Halen – que trataria os fãs da maneira que vocês estão sendo tratados esta noite”. E ele pode estar certo. Hetfield realmente deixou tudo em casa quando estava simplesmente tentando matar o tempo durante uma passagem no palco: “Somos todos amigos aqui, certo?”. Ele perguntou. “Bom, agora somos.”

Metallica faz o que, provavelmente, será o melhor show do Rock in Rio 2011

O Metallica tocou para uma arena ganha no desfecho da terceira noite do Rock in Rio 2011, na madrugada desta segunda, 26. O público, aquecido por uma performance empolgada dos mascarados do Slipknot e pelos graves ensurdecedores de Lemmy Kilmister e seu Mötorhead, se deixou facilmente levar pela apresentação impecável do quarteto de São Francisco, possivelmente a maior banda de heavy metal de todos os tempos, tanto em álbuns vendidos quanto em influência e longevidade.

A apresentação pouco se diferenciou das últimas aparições do Metallica na atual turnê com o Big Four – ao lado das bandas amigas Slayer, Megadeth e Anthrax –, muito menos dos três shows do Metallica no Brasil em janeiro de 2010: a abertura com a vinheta de luxo “The Ecstasy of Gold” (trilha do filme Três Homens em Conflito, de 1966), emendada por uma versão na velocidade da luz de “Creeping Death”, do álbum Ride the Lightining (1984). Subindo ao palco com meia hora de atraso em relação ao previsto, era como se o Metallica não quisesse desperdiçar nenhum segundo em cima do palco carioca. Na sequência, outra faixa do mesmo disco: “For Whom the Bell Tolls”, cantada em coro por milhares de fanáticos. “Fuel”, de Reload (1997) foi coroada com efeitos pirotécnicos. “Vocês estão se sentindo bem? Porque eu estou melhor”, provocou o vocalista/guitarrista James Hetfield antes de chamar “Ride the Lightning”, do álbum homônimo de 27 anos atrás.

Impecável, a banda não se permitiu deslizes ou notas fora do lugar. Nem o solo de Kirk Hammett, cedo demais para apenas 20 minutos de show, dispersou a empolgação da plateia carioca, que desde 1998 não assistia a um show do Metallica. “Fade to Black”, a quarta faixa do repertório pinçada de Ride the Lightining, levantou mais celulares ao alto do que isqueiros acesos. No gancho pesado da música, Hetfield acidentalmente acionou o captador errado da guitarra, resultando em um riff sem peso e esvaziado. No intervalo, o músico tirou sarro da falha técnica. ”Normalmente é mais pesado que isso”, brincou.

Seguiram-se faixas de Death Magnetic (2009), primeiro álbum a contar com a participação efetiva do baixista Robert Trujillo: em “Cyanide” e ”All Nightmare Long”, Hetfield aproveitou para subir na plataforma da bateria e interagir com o parceiro Lars Ulrich, com quem toca junto e convive há mais de 30 anos. “Sad But True”, que já foi hit das FMs, foi abraçada e entoada pelos fãs. “Welcome Home (Sanitarium)” e a instrumental “Orion”, ambas de Master of Puppets (1986), deixaram claro que a noite serviu como homenagem aos antigos seguidores do Metallica: mais da metade do set list foi destinada a músicas dos três primeiros discos, lançados entre 1983 e 1986. Após “Orion” e antes da clássica “One”, Hetfield evocou outro símbolo dos velhos tempos, com uma homenagem ao falecido baixista Cliff Burton, morto em um acidente de ônibus com a banda, na Suécia, em 1986. “Você está nos nosso corações!”, exclamou o frontman.

“Master of Puppets” foi recebida como clássico pela multidão, que cantarolou até o solo dobrado de Hetfield e Kirk Hammett. Todos pareciam à vontade e sorridentes, revelando um interessante contraponto à sisudez dos temas abordados pelo Metallica em suas canções – horrores da guerra, pena de morte, pragas egípcias, corrupção, pesadelos noturnos, e por aí vai. Na violenta “Blackened”, faixa de abertura de …And Justice for All (1988), a exaustão do público ficou evidente. Hammett esfriou os ânimos com mais um solo de guitarra em que deixou até escapar certa inspiração brasileira. “Nothing Else Matters”, certamente uma das músicas mais populares dos 30 anos de carreira do Metallica, fez o público repetir o esquema “nuvem de celulares/refrães em coro”. No sucesso absoluto “ Enter Sandman”, com o qual a banda chutou as portas para o mainstream em 1991, dezenas de milhares saltavam de braços levantados ao ritmo do indefectível riff grooveado. Diante da massa disforme suada e vestida de preto, Hetfield e os comparsas pareciam incrédulos e felizes.

Ao final de um final de semana de shows concorridos e incontáveis atrasos, o cansaço era regra geral na Cidade do Rock. Mas ainda havia tempo para o Metallica recuperar três faixas de seu primeiro álbum, Kill’em All, de 1983. “Am I Evil”, cover do Diamond Head, a chicotada “Whiplash” e o hino “Seek & Destroy” (sob luzes acesas) fecharam o que pareceu ser o melhor show da primeira metade do Rock in Rio 2011. Ao final de três dias de festival, há uma certeza apenas: nenhum outro será tão pesado quanto este domingo, 25 de setembro – o dia em que o metal pesado invadiu e abalou as estruturas do horário nobre brasileiro.

Set list:
“The Ecstasy of Gold”
“Creeping Death”
“For Whom the Bell Tolls”
“Fuel”
“Ride the Lightining”
“Fade to Black”
“Cyanide”
“All Nightmare Long”
“Sad But True”
“Welcome Home (Sanitarium)”
“Orion”
“One”
“Master of Puppets”
“Blackened”
“Nothing Else Matters”
“Enter Sandman”

Bis:
“Am I Evil?”
“Whiplash”
“Seek and Destroy”



Arquivo
Categorias
Twitter Studio Deldorado

Posting tweet...

Powered by Twitter Tools


Fatal error: Class 'OAuthSignatureMethod_HMAC_SHA1' not found in /home/deldorado/www/editora/wp-content/plugins/twitter-tools/twitteroauth.php on line 62